Algumas vezes Maria deixava Joãozinho trazer a molecada para
passar as tardes de sábado em casa para aprender a ler, e se aglomeravam, como ele já sabia ler muito bem quis ajudar os outros e é claro que sua mãe aceitou.Ela
contava historias e falava sobre responsabilidades, drogas e violência.A turma
adorava a parte “agora é hora do lanche”
daí tiveram que ir comer la fora.No começo eram três coleguinhas, agora já são quase dez e o menino ficava orgulhoso de
estar ajudando de alguma forma e ganhou um abraço da mamãe coruja que se sentia duas vezes mais
orgulhosa.Dona Lurdes e uma outra vizinha tiveram a ideia de ajudar emprestando as
cadeiras, já que a tendência é esse grupo aumentar um pouco mais.
No sul...
A família de Maria da
Graça ainda se lembrava dela com carinho, principalmente no natal, réveillon e
nas dada de aniversario.Dona Helena ainda ia na igreja nas dadas do desaparecimento
e levava flores e reforçar seu pedido com a Nossa Senhora, ter esperanças nunca
é demais, alem dos afazeres de casa que diminuíram com o casamento de Bernardo ela arrumou um tempo
nas manhas de sábados para voluntariar
se a pastoral da criança e se sente feliz em ver tanta criança junta e ajudava
na orientação das mães, pesando os bebes e preparando o lanche numa algazarra
que lhe enchiam o dia.
Bernardo se casou com a vizinha Joseane, muito bacana e tem
uma linda filha aninha de olhos azuis parecia uma boneca. Carlinhos trabalhava
em uma empresa de grande porte, sempre apresentava uma nova namorada e falava
que desta vez era pra sempre, quase não parava em casa, mas era um bom filho
com os pais. Sr Helio já não faz mais os churrascos dominicais, perdeu a graça
faz tempo e quase não saía de casa se dedicando a esposa e as plantas. As
arvores nas calçadas das ruas que foram plantadas com a ajuda da filha já estão
crescidas e bem podadas.
Milena também se casou e mora em outro estado.Carla não se
casou, mas vinha sempre visitar dona Helena e trazia -lhe uma orquídea de
presente, e ela retribuía com um abraço bem apertado, não pelo mimo recebido,
mas por sentir um pouco da Gracinha na
amiga.
O aniversario primeiro
ano de Aninha se reuniram em uma calorosa festinha que fez o marmanjo chorar de
emoção orgulhoso da sua pequena.
Em São Paulo...
Em sábado frio Maria serviu sopa quentinha pra criançada
depois da oração, mesmo em dias frios não deixavam de ir a escolinha, depois
cada um direto pra casa, essa era uma
das regras para estudar ali, obedecer.
Enquanto Joãozinho dormia ela passava a mão no
cabelo negro e macio e teve uma súbita lembrança, parecia lembrar-se de alguém,
tipo da hora em que foi agredida, do tombo e mais nada, dormiu com olhos
molhados por lembranças tão doídas.No dia seguinte enquanto vendia seus doces dona Lurdes parou para conversar um pouco e ela acabou contando da lembrança da noite anterior, da cicatriz e se lembrou da cara do pai do seu filho e pior, se lembrou que ele não era boa pessoa.E então ficaram de continuar a conversa mais tarde, pois dona Lurdes estava atrasada para o trabalho, ultimo ano as vésperas da tão esperada aposentadoria, deu um beijinho no afilhado e se foi.Enquanto vendia os doces ele viajava nos livros sentado no cantinho e ela sempre de olho como dizem por aí, com um olho no peixe outro no gato.
O sinal fechou de repente, passou um carro prateado com o vidro aberto e musica alta ela reconheceu Thales acompanhado e sorrindo e não olhou para Maria, jamais olharia para uma mulher mal vestida e pobre daquele jeito.O carro foi embora, ela abraçou o filho tão forte, com tanto medo que o pequeno nada entendeu...
(imagens do Google)
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